19 abril 2015

VOLUPTATEM



O abraço suado, apertado, quase sufocado

seguido por um gemido abafado indicam o fim.

As funções vitais abandonam o exagero

retomam em calmaria,

 proporcionando, renovada,

a vida.


Os olhares, ainda que não apaixonados
Confessam o quanto foi bom cada instante.


Os dedos  suavemente acariciam a cabeça

e desalinham ainda mais os cabelos.

As mãos  passeiam sobre a pele

num vai e vem infinito como alguém que

anda em círculos, perdido em seu caminho.

Os braços que tomam posse do outro

como se pudessem impedir o tempo de passar

Beijos, cheiros...
Boca, peito..
Coxas, mãos..
Braços, seios..


As respirações que se misturam,

os risos e sorrisos que se entendem

no silêncio revelador do depois.



                                                                    2005

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